terça-feira, 17 de junho de 2014
Faz tempo desde o lançamento do Godzilla original do diretor japonês Ishiro Honda. O clássico de 1954 sobre um terrível réptil gigante, que é a personificação do medo das armas nucleares, foi um sucesso e se tornou um símbolo da cultura pop japonesa e internacional. Godzilla teve várias versões após o original, 28 para ser preciso, e sua primeira iteração americana, o Godzilla de 1998, foi um fracasso. Então coube ao diretor de Monstros (2010), Gareth Edwards, tentar abordar o mito de Godzilla, o monstro que deu origem aos filmes kaiju, novamente para os ocidentais com um novo Godzilla (2014). Esse filme é um marco em diversas áreas. Marca o sextuagésimo aniversário de Godzilla, marca a última parceria entre a Warnes Bros e a Legendary Picures e é um marco por ser o primeiro bom filme ocidental de Godzilla. Esse filme é incrível, é um blockbuster satisfatório, feito por um diretor “pequeno”, que ainda iremos ouvir muito sobre o mesmo. Gareth tem um ótimo olho para detalhes, perspectiva e performances. Mas vamos aprofundar sobre o que é esse “Godzilla 2014” e o porquê dele funcionar.

Nos créditos iniciais o diretor já passa a noção de que esse é um Godzilla que, apesar de tratar de um tema absurdo e fora de nossa realidade, terá um pé mais fixo no chão. Na medida do possível, claro. Logo de cara somos apresentados a documentos históricos, destacando a paranoia com tudo que é relacionado ao monstro. É um começo poderoso e que te deixa no clima. É uma abordagem nova e interessante aos filmes do rei dos monstros, mas nada temam fãs dos filmes nipônicos, há bastante respeito ao material original aqui.

O filme não é afobado e sabe guardar seu jogo. Demoramos em ver o réptil gigante, principalmente na sua totalidade. Entretanto isso só valoriza a aparição do mesmo e em nenhum momento o foco do filme não é em algo em relação ao monstrengo. Para entrarmos nesse mundo, acompanhamos os acontecimentos junto do protagonista Joe Brody, interpretado pelo espetacular Bryan Cranston, sim, o famoso Walter White de Breaking Bad. Joe é um físico nuclear que escapou por pouco da morte em um desastre e perdeu sua mulher (vivida por Juliette Binoche) nesse acidente de sobreaquecimento nas usinas nucleares japonesas em 1999. Não convencido com a desculpa governamental de que aquilo não se passou de um “desastre natural”, o físico passou anos em buscas de respostas, 15 anos para ser exato. O distante filho de Joe, Ford Brody (Aaron Taylor-Johson, o Kick Ass em Kick Ass), agora um militar especialista em desarmamento de bombas, tenta desesperadamente convencer seu pai a largar sua obsessão pelo acidente. Contudo, há sinais de o que desastre irá se repetir quando um terrível monstro acorda novamente e prova as suspeitas do Brody pai que aquilo tudo é bem mais do que um simples acidente.



Uma prévia do visual de “Gojira”

O elenco varia entre muito bom para poderia ser melhor. Bryan Craston como Joe Brody é soberbo, como era de ser esperar. O impacto emocional da primeira parte da película se deve a esse grande ator. Aaron Taylor-Johnson parece estar em outro filme e acaba destoando um bocado do resto dos atores. Elizabeth Olsen, excelente atriz que é pouco utilizada em Godzilla, tem uma boa química com Aaron no começo do filme, mas o ator parece estar mais a vontade em fazer as cenas de ação do filme do que em demonstrar emoção. Ken Watanabe como Dr.Serizawa serve especialmente para exposição, ou seja, explicar detalhes do filme. Um papel um tanto ingrato, mas que o senhor Watanabe tira de letra.

Apesar de inicialmente esse filme não ter muito Godzilla, não se deixe enganar pensando que esse é apenas um filme sobre a catástrofe que esse monstro gigante causa. E pode ter certeza que o gigante terá adversários a altura nessa produção, por isso não é só drama que vemos aqui. Há um bocado de ação de qualidade nesse novo Godzilla, digno dos melhores kaiju eigajaponeses da Toho. Algo interessante sobre a aparência de Godzilla nesse filme é que ele é coberto de cicatrizes hipertróficas, ou seja, mais elevadas em relação ao tecido original. Isso é uma referência direta ao filme de 54, onde o monstro tinha essas terríveis marcas para evocar as cicatrizes que os sobreviventes do bombardeio de Hiroshima e Nagasaki ficaram depois de tal barbárie. Caso você seja novo no “mundo Godzilla” fique sabendo que o lagartão é uma alegoria ambulante sobre os perigos nucleares.

Voltando a obra, depois de 45 minutos de filme você verá um monstro e depois disso, amigo, o ritmo da produção acelera e muito. Mesmo assim eles guardam o melhor para o ato final do filme, é Hollywood se redimindo de sua pavorosa versão de 1998. Essa é uma película onde tudo é sempre visto pelos olhos dos humanos, o que alguns podem achar que pode desvalorizar nosso envolvimento com o poderoso Godzilla, contudo creio que apenas reforça o ar de força irrefreável e incompressível que é o monstro.

Os efeitos do filme são perfeitos, Godzilla parece realmente ser real e não algo feito em computadores. Ao contrário do que alguns japoneses implicantes andam dizendo na net, não, Godzilla não esta gordo, o monstro é apenas colossal. Aliás, essa é a maior representação dessa criatura nuclear que vemos nas telonas. A trilha de Alexandre Desplat fornece o clima certo de tensão para as cenas, nunca sendo evasiva demais nos momentos dramáticos e auxiliando na emoção nos momentos de ação.


O tamanho do novo Godzilla do estúdio Legendary em relação as versões anteriores da criatura.

Esse filme irá agradar totalmente aos que curtem os filmes de monstros do “Gojira” (como Godzilla é chamado no Japão) original, contudo vi algumas pessoas que esperavam um filme mais dramático saírem decepcionadas, principalmente com o ato final do filme. Godzilla é um remake de sucesso, ele te dá tudo que você pode esperar e querer de um filme de monstro. A produção só leva um tempo para chegar lá, contudo paciência é uma virtude meus caros. E a espera vale a pena. Não é um filme para todos, mas é um filme que sabe agradar seu público alvo.

Guilherme del Toro considerou seriamente dirigir essa nova versão de Godzilla, mas deixou o projeto para Gareth Edwards e foi dirigir Pacific Rim (Círculo de Fogo por aqui). Os dois diretores falaram na WonderCon 2013 que gostariam de fazer um crossover entre Pacific Rim e Godzilla. Agora é esperar que o novo filme de “Gojira” seja um sucesso para que os Jaegers de Círculo de Fogo tenham um adversário a altura. Um fã pode sonhar, não?

Ps.: Sim, é um filme bem parecido com Círculo de Fogo em certas partes. Contudo a parte humana de Godzilla é feita com bem mais competência e de forma menos “cartunesca”, o que pode agradar as pessoas que querem um filme mais sério. Resumindo, é um Círculo de Fogo mais dramático, com menos ação e com melhores atuações. Mas se você odiou o filme de robôs do Guilherme del Toro (sério, por que você odiaria algo tão divertido?) fique longe de “Godzilla 2014”.
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