sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Você está preparado? Apertou bem as caneleiras? Poliu seu elmo e empunhou sua espada? Bom, espero que sim! Hoje vou falar tudo sobre o meu jogo de PC favorito, Total War Rome II.

ISSO É.. ESPARTAAAAAAAAA! ROMA!!

Criar um jogo e revolucionar um gênero não é para todos. Shogun: Total War, de 2000, o primeiro da série Total War teve o condão de o fazer, tendo o seu expoente de inovação no aclamado Rome: Total War de 2004. É possível que a complexificação do gênero de jogos de estratégia tenha nascido muito graças a esta série, adaptando o combate em tempo real de Command & Conquer, Dune, Warcraft e Starcraft, com a dinâmica por turnos de expansão geopolítica, e todas as características necessárias a unificar dois subgéneros aparentemente distintos.

Quase 10 anos passados desde o seu antecessor, Total War: Rome II vem cimentar-se como um dos grandes RTS e não só cumpre com as expectativas, como em larga escala, as ultrapassa. Depois de ver a experiencia do jogo na E3e a capacidade que este teve de o reaproximar do gênero dos jogos de estratégia, foi criada em mim uma grande semente de curiosidade sobre o que os senhores da The Creative Assembly teriam reservado para as legiões de fãs que ansiavam avidamente pelo seu lançamento.



A aproximação de um realismo cada vez mais palpável nos jogos de estratégia tem neste Rome II a sua demonstração mais óbvia. Se a complexificação do género tem sido um crescendo como resposta à exigência dos jogadores de obterem uma experiência o mais particularizada possível, em que cada decisão pode ter consequências devastadoras a montante e a jusante do seu Império.

Para quem não conhece a série há que referir que Total War comporta-se como 2 jogos de estratégia distintos: por um lado, no mapa geopolítico, como um jogo de estratégia por turnos, próximo da realidade dos jogos de tabuleiro e de videojogos como Civilization, e por outro estratégia em tempo real, como Warcraft, mas levada ao extremo do controlo do campo de batalha. Esta dificuldade adicional para novos jogadores, o de se terem de habituar a não um, mas a dois subgéneros distintos poderia parecer a priori como um entrave à “sedução” de novos jogadores. O segredo para rebater esta aparente barreira reside tão-somente na apresentação de um tutorial relativamente longo que serve de porta de entrada à narrativa, aos conflitos políticos internos do Senado Romano, as tensões com as civilizações vizinhas e respectivas medidas diplomáticas e bélicas para resolução das mesmas. Para não falar da grande característica de Total War: a gestão meticulosa, mas amplamente realista do campo de batalha.

A humanidade na bestialidade da guerra:

Esta aproximação ao real prende-se mais do que tudo pelo factor humano da guerra, da parte de quem guerreia e de quem organiza as tropas. Um General não é uma criatura omnisciente que consegue controlar cada um dos seus soldados individualmente, mas sim alguém que define uma estratégia global e se adapta à realidade do cenário, sejam as constrições de terreno que influenciam a eficácia das nossas tropas em defender ou atacar, seja a possibilidade de utilizar as florestas envolventes para criar emboscadas. Um general, ao contrário do que a maioria dos jogos de estratégia fazem passar com a sua micro-gestão, não é alguém que está a apontar “Manuelus SIlviam vai ali atacar na retaguarda!”, “Joanius Santum defende a formação pela esquerda!”, mas sim alguém que define as colocações em terreno e as posturas colectivas a assumir, assim como definir a formação sob a qual as legiões de soldados terão de se organizar para melhor aplicar a táctica definida. O medo e a moral, assim como uma série de emoções humanas, podem e vão influenciar a fluência dos combates. Um exército flanqueado pode bloquear de pânico ou assumir uma postura de desespero tal que melhorará a sua eficácia de combate. Uma legião surpreendida pode não ter tempo de se reorganizar: a movimentação das tropas assemelha-se ao real: correr pode levar à fadiga, e o posicionamento dos batalhões pode ser o seu sucesso ou derrota ante a investida dos inimigos e a sua capacidade de desfazer formações/atacar as unidades mais vulneráveis. Em extremo, com um conhecimento/análise exímias do terreno e do exército inimigo, é possível vencer num cenário de inferioridade numérica, e com a sagacidade militar sobrepujar batalhões amplamente superiores. E claro, com a atenção dada ao pormenor, é possível ver, um a um, dos milhares de soldados em campo a digladiarem-se, o brandir das espadas antes de atingirem um soldado inimigo, os cascos de um cavalo que investe sobre um batalhão, a raiva num soldado que vê os seus pares a caírem, um a um, no terreno de batalha.




Vai encarar?


Mare clausum:

As batalhas navais são talvez um dos campos mais desenvolvidos neste Total War: Rome II. Toda a gestão estratégica apresentada em batalhas em terra, com as indicações atribuídas a infantaria e cavalaria, é também traduzível no combate naval: podemos, pelo posicionamento marítimo e pelas devidas investigações tecnológicas, especializar parte da nossa frota em abalroamentos aos barcos inimigos, assim como invadir portos de cidades inimigas ou causar bloqueios marítimos aos nossos adversários. Bloqueios estes que podem ser complementados com cercos efetuados pelas nossas tropas.


Como é de compreender, cada um destes combates, pela complexidade estratégica dos mesmos, pode demorar largas dezenas de minutos. E é por isso que o jogo prevê uma característica que nos permite não ter de combater todas as batalhas: a possibilidade de auto-resolução das mesmas. Sempre que dois exércitos inimigos se encontram (ou duas armadas, ou um exército e uma cidade) temos a possibilidade de combater nós mesmos, entrando na fase de estratégia em tempo real, ou, seguindo as propostas dos nossos conselheiros militares, que calculam a probabilidade de sucesso, adoptar a melhor auto-resolução possível e permitir que em num mero segundo a batalha seja resolvida, e para o vencedor os despojos. Esta mecânica não só responde a jogadores que apenas se interessam pela componente da estratégia por turnos, como permite que cada jogador decida que batalhas quer combater ele mesmo, ao invés de deixar o computador decidir qual o resultado.

Bloqueio marítimo em 3,2,1...

Pax Romana:

Com uma complexificação da faceta geopolítica e da componente por turnos, Total War: Rome II aproxima-se gradualmente de Civilization V: com uma árvore de investigação de tecnologias que vai definir quais as nossas especializações sociais (se a cultura, a pesca, a agricultura, etc) e militares (se nos especializamos em máquinas de cerco, ou na batalha naval) e de que forma é que estes nossosupgrades definem o nosso caminho para a vitória. Individualmente, cada general, almirante, espião, veterano ou dignitário, pela experiência das suas acções, vão recebendo inovações que lhes permitirão ajudar-nos numa série de dificuldades impostas pelo próprio jogo. Não esquecendo porém, que em Rome II o tempo passa, e a idade é um posto, mas também é uma causa de morte. Preparem-se portanto para as exéquias fúnebres aos vossos generais mais experientes: o turno da sua morte chegará decerto.


O único problema que pude sentir durante as 50 horas de jogo que fizemos foi a imensidão de downtime que o jogo nos imputa. Desde o início da campanha, e tenhamos nós encontrado ou não as cerca de 50 civilizações que disputam o território connosco, temos, no final do nosso turno, de esperar que o processamento de todas elas seja efetuado. E pelo surgimento de mais facções com o avançar dos anos, pode acontecer que o tempo de processamento de todos os outros “jogadores” seja o dobro do tempo que levaram a fazer o vosso turno. O que apesar de nos permitir colocar a leitura em dia, acaba por cortar um pouco o ritmo do próprio jogo.

O caminho para a vitória não é apenas bélico, mas é possível também obtê-la através da cultura (por exemplo, a cultura latina ser a cultura dominante em todo o mapa) ou através da hegemonia económica. Mas se este caminho é difuso, também o é longo, em cada campanha, mediante o nosso investimento, pode ultrapassar largamente as 60-70 horas de jogo. Muito longo mesmo. Das campanhas possíveis (de entre quase 20 civilizações possíveis, com a adição da expansão “Greek States Culture Pack”) cada uma com o seu grau de complexidade, especificidade e dificuldade, Total War: Rome II tem uma longevidade impressionante no modo Single Player, tendo ainda um modo Multijogador que não nos foi possível ainda experimentar.


Olá vizinho, tem um raminho de salsa que me possa dispensar?


O melhor: A afinação dos dois subgêneros que o compõem, a complexificação dos tipos de batalha possíveis, o intrincar dos relacionamentos geopolíticos e a gestão pormenorizada do nosso Império, a majestosidade e sentidos épicos e simultaneamente humanos de cada batalha.

O pior: O downtime de processamento de todos os nossos adversários, a exigência de características do computador poderão deixar muitos jogadores “de fora”, a dificuldade (habitual) em encetar diplomacia com Inteligência Artificial.

Total War: Rome II é perfeitamente exímio em tudo o que se propõe a fazer. É um jogo de estratégia por turnos soberbo, que nos coloca decisões difíceis à nossa frente e que poderão, após percorrida uma longa estrada, significar o triunfo ou a queda do nosso Império. E é também um jogo de estratégia em tempo real majestoso, criativo, trazendo novas possibilidades de combate, cerco, bloqueios marítimos, assassinatos, e um verdadeiro sentimento de gestão militarística, aprofundado, e mais do que tudo, humano. Consegue mais do que tudo imputar uma grande aura de humanidade a algo que é virtual, atribuindo emoções humanas a uma grande massa de figuras modeladas em 3D.

Eu comprei o jogo um pouco depois do lançamento, hoje além dele, possuo todas as suas DLC's que são muito boas também. Joguei todos os jogos da série e posso garantir a vocês que esse é o melhor de todos e vale muito a pena.
Também recomendo a leitura do livro 'Total War Rome: A Destruição de Cartago' que é baseado no jogo é pode ser um complemento interessante para mexer de vez com sua imaginação. Caso queira saber mais sobre ele, basta clicar na figura abaixo.

Vale lembrar que o jogo é exclusivo para PC e pode ser encontrado no Steam. Antes de comprar, veja se seu computador tenha os requisitos mínimos necessários para fazer o jogo funcionar.
Então é isso pessoal, até a próxima.
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