segunda-feira, 23 de maio de 2016
Dez longos anos se passaram desde que Mística impediu que Magneto assassinasse o presidente dos Estados Unidos e humanos e mutantes até o momento vivem em aparente paz. Magneto agora tem uma fámilia e vive uma vida pacata com a esposa e a filha, Xavier finalmente colocou sua escola para funcionar, tentando ajudar jovens mutantes a compreenderem sua condição, e Mística viaja pelo mundo tentando ajudar os mutantes que encontra pelo caminho. 

Mas quando o antigo mutante Apocalipse acorda depois de dormir um sono milenar, ele se encontra na civilização de 1983, dominada por humanos normais e menos evoluídos, segundo os seus parâmetros, e por isso decide eliminá-los para dar espaço aos seus “filhos” mais poderosos, os mutantes. Cabe ao Professor Xavier, e a seus alunos, encontrar uma maneira de pará-lo.Antes de Apocalipse começar a provocar o “apocalipse”, no entanto, os alunos da Escola Xavier Para Jovens Superdotados acham um tempo para assistir a O Retorno de Jedi e concordam que “o terceiro é sempre o pior”, como dito pela Jean Grey de Sophie Turner. Mas se a fala é direcionada ao terceiro volume da “trilogia original”, dirigido por Brett Ratner e odiado pelos fãs, ou é uma autoavaliação desta sequência de X-Men: Primeira Classe e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, não fica claro.
As cenas iniciais são promissoras, com uma estrutura que leva para o primeiro filme. Ele abre com um flashback das atividades de Apocalipse no Egito, seguido pelo desenvolvimento traumático dos poderes de um personagem e uma luta em uma gaiola (exatamente a mesma estrutura de X-Men – O Filme).

O problema é que há personagens demais em cena para apresentar na primeira hora de projeção. Assim, somos apresentados, em um ritmo frenético, a Ciclope e Noturno, imediatamente, enquanto Nicholas Hoult e James McAvoy voltam rapidamente aos seus papéis, embora Hoult não tenha muito que fazer como o Fera.. Quem brilha, mais uma vez, é Evan Peters como Mercúrio! Sua cena em slow motion ao som de Sweet Dreams é de uma tecnicidade incomparável e deixa o Mercúrio de Vingadores: Era de Ultron chupando o dedo no além-túmulo.
Infelizmente, nem todos os personagens brilham em Apocalipse. Jean Grey, por vezes, soa mais chata do que insegura (Assim como à Jean de Famke Janssen). A Mística, embora mais sombria do que as interpretações anteriores da atriz para a personagem, está longe de se mostrar a assassina sangue-frio na primeira trilogia, o que é uma pena, já que o filme podia ter usado um pouco mais do lado sombrio da personagem, ao invés de dar a ela tantos discursos “inspiradores”.

O real problema da sequência está em seus vilões: Apocalipse e seus quatro cavaleiros. A Tempestade recebe pouco o que fazer, dada a primeira aparição desta importante personagem neste universo de mutantes jovens, enquanto o Anjo e a Psylocke são ferozes, porém sem brilho em suas trajetórias. Michael Fassbender é quem tem um arco mais interessante com Magneto, mas acaba ofuscado por En Sabah Nur, ou Apocalipse, que é tão desinteressante porém muito bem desenvolvido na minha humilde opinião, já que é um mutante que pode passar de um corpo para outro, levando os poderes do seu novo anfitrião a cada passagem – o que pode explicar o motivo de suas habilidades não serem tão bem definidas ao longo do filme.
Isaac tenta dar algum peso às motivações de Apocalipse e em alguns momentos consegue, mesmo escondido sob uma maquiagem que faz o Thanos do Universo Marvel parecer um humano com sentimentos. Porém, o real problema do personagem com o século XX é tão fraco que não passa de poder e punição, como diversos outros vilões. Somos apenas informados de que sua grande habilidade é persuadir os mutantes para o seu lado e, mesmo levando em consideração a natureza danificada daqueles que tem como alvo, seus argumentos parecem fracos e nada inspiradores.

Além disso, um filme que faz questão de lembrar o Holocausto, mas que num clímax chocante destrói cidades inteiras com uma poeira computacional e vaporiza suas populações, sequer se dando ao trabalho de um olhar momentâneo no horror das pessoas.

Em comparação com o enérgico e ousado Dias de um Futuro Esquecido, tudo parece muito pesado e até forçado em X-Men: Apocalipse. Quantas vezes o Professor Xavier terá de nos lembrar de que ainda existe um pouco de bondade em Magneto antes de cair na real? Quantas vezes Mística pode negar seu lado heroína e ainda ser levada a sério? É realmente necessário reproduzir tantas cenas já vistas nos capítulos anteriores?
E pra quem achava que o Wolverine não aparecia nesse filme, acabou se enganando e ficando boquiaberto com essa cena surreal! Cai entre nós, foi a cena que eu mais gostei de todo o filme!

Mas em si o filme é muito bom, vale a pena conferir! Porém se você é um marinheiro de primeira viagem, não acompanha quadrinhos ou não assistiu todos os filmes anterioes de X-Men, recomendo fazer uma maratona antes de ir ao cinema ver X-Men: Apocalipse!
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